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← Voltar ao blog Capa horizontal em tons de azul-marinho com três mãos segurando raquetes distintas: uma raquete encordoada de tênis diante de quadra azul, uma raquete perfurada de padel diante de paredes de vidro e uma raquete perfurada de beach tennis diante de areia e rede. À esquerda, o logo do Professor OutArena e a chamada “Qual é a melhor pegada?”, acompanhada do subtítulo sobre ajustes por modalidade e golpe.
Esportes de raquete Por Equipe Professor OutArena 10 min de leitura

Qual é a melhor pegada para tênis, padel e beach tennis?

Não existe uma única pegada correta para todos os golpes ou modalidades. Veja as referências do tênis e como interpretar, com cautela, as adaptações no padel e no beach tennis.

A melhor pegada não é uma receita única. Ela depende do golpe, da modalidade, do ponto de contato, do objetivo técnico e das características do jogador.

No tênis, a pegada continental é uma referência comum para saque, voleio, slice de backhand e overhead. Eastern e semi-western aparecem principalmente nas discussões sobre o forehand. No padel e no beach tennis, copiar automaticamente a taxonomia do tênis pode esconder diferenças importantes de raquete, espaço, paredes, quique e tempo de preparação.

Resposta curta: procure a pegada que ajude a controlar a face da raquete e repetir o golpe com equilíbrio, conforto e consistência — não uma posição obrigatória para todas as situações.

O que significam continental, eastern, semi-western e western?

Esses nomes descrevem posições relativas da mão no cabo da raquete. Eles são usados sobretudo no ensino do tênis para explicar como a face chega à bola e como a mão se organiza no movimento.

  • Continental: referência frequente para saque, voleio, slice de backhand e overhead no tênis. Também pode servir como base de transição entre golpes.
  • Eastern: posição frequentemente ensinada para o forehand, associada a um contato mais de frente.
  • Semi-western: outra opção de forehand, muitas vezes relacionada a um caminho de swing e a uma orientação da face compatíveis com a produção de topspin.
  • Western: pode fazer parte do repertório de alguns jogadores de forehand, especialmente em contatos mais altos, mas não deve ser apresentada como obrigatória, superior ou errada sem contexto.

Eastern, semi-western e western não formam um ranking universal. São referências de forehand no tênis; não substituem automaticamente a continental em saque, voleio, slice ou overhead.

Pegadas no tênis: a escolha muda conforme o golpe

O tênis reúne golpes de fundo, ações próximas à rede e golpes acima da cabeça. Por isso, é normal que o jogador altere a pegada entre uma ação e outra.

Continental: saque, voleio, slice e overhead

A USTA apresenta a continental para voleios, saque, slice de backhand e overhead e propõe exercícios de controle da borda da raquete para ajudar o praticante a encontrar essa posição.[1]

Ela pode ser uma base útil quando o jogador precisa preparar rapidamente a raquete, orientar a face e fazer transições. Isso não significa que seja obrigatória em todo golpe ou a melhor escolha para todos os jogadores.

Eastern e semi-western no forehand

No forehand, a USTA destaca o contato à frente e o controle da face da raquete, sem impor uma única pegada.[2] Na prática de ensino, eastern e semi-western podem ser testadas conforme a altura do contato, a trajetória desejada, o nível e a resposta do jogador.

Um estudo experimental publicado na Cureus comparou as pegadas continental, eastern e semi-western em 100 voluntários, usando um dinamômetro e posições de contato definidas. A eastern produziu mais força estática nos três momentos analisados, enquanto a semi-western superou a continental no contato inicial.[3]

Esse resultado tem um limite importante: o teste mediu força estática contra um dinamômetro. Ele não demonstra que a eastern seja a melhor pegada para jogar tênis e não mede, por si só, desempenho em quadra, controle, conforto, spin ou sucesso em uma troca. O estudo também não avaliou a western e declara limitações.

E a western?

Não é adequado chamar a western de “errada” sem considerar o golpe, o jogador e o objetivo técnico. Também não há base nas fontes consultadas para afirmar que ela seja a mais usada, superior ou universal. Se um professor a propuser, a avaliação deve considerar o contato, a trajetória, a mobilidade e a capacidade de repetir o movimento.

Pegada no padel: base didática, não regra da FIP

No padel, a raquete é sólida e perfurada, o jogo usa paredes e o saque é realizado por baixo da cintura. As regras oficiais da Federação Internacional de Padel (FIP) estabelecem condições de quadra, pontuação, equipamento e jogo, mas não determinam que o atleta use continental, eastern, semi-western ou western.[5]

A continental aparece com frequência como base didática comum no ensino do padel, especialmente como ponto de partida para preparação curta, voleios, golpes acima da cabeça e transições. Essa formulação descreve uma prática de ensino; não é uma norma FIP. A plataforma FIP Academy é uma fonte oficial de formação, mas não sustenta, sozinha, uma recomendação específica sem a identificação de um módulo ou texto correspondente.[6]

“Continental em todos os golpes” é uma simplificação pedagógica. A orientação da mão pode ser ajustada conforme o golpe, o nível e a orientação técnica recebida. Bloqueios, voleios, bandeja, víbora, saída de parede e mudanças de direção também exigem leitura da bola e preparação próprias do padel.

Pegada no beach tennis: controle da face e jogo sem quique

O beach tennis é disputado na areia e tem regras próprias da ITF. Na edição Rules of Beach Tennis 2026 consultada em 13 de agosto de 2026, a Regra 12 afirma que, salvo falta ou let, a bola entra em jogo quando o sacador a golpeia e permanece em jogo até o ponto ser decidido.[4] A redação não prevê um quique da bola antes da disputa do ponto; por isso, neste artigo, “jogo sem quique” significa que a bola deve ser jogada no ar, conforme a dinâmica regulamentar da modalidade.

Essa dinâmica torna relevantes a leitura antecipada, o posicionamento, a preparação compacta e o controle da face da raquete. Ela não determina, porém, uma pegada universal.

É possível que professores trabalhem com uma continental ou com variações próximas em certas situações, mas as fontes oficiais consultadas não estabelecem uma pegada obrigatória nem fornecem um consenso científico que permita escolher uma única posição para todos os golpes, níveis e jogadores.

Portanto, a decisão deve ser observada na prática: a face chega estável? O jogador consegue preparar a raquete a tempo? Há controle, equilíbrio e conforto? Sem uma pesquisa observacional identificável, não se deve usar “90%” ou outro percentual para dizer quantos jogadores adotam determinada pegada.

Comparativo rápido

Modalidade O que muda a técnica Como tratar as pegadas
Tênis A bola quica e há golpes de fundo, saque, voleio, slice e overhead. Continental é uma referência comum para saque, voleio, slice e overhead. Eastern e semi-western devem ser tratadas principalmente como opções de forehand.
Padel Raquete sólida/perfurada, paredes, saque por baixo da cintura e muitas transições curtas. Continental pode ser uma base didática comum, mas não é uma pegada prescrita pelas regras da FIP. Pode haver ajustes por golpe e jogador.
Beach tennis Jogo na areia e disputa da bola no ar, sem quique antes da devolução. As regras consultadas não determinam uma pegada universal. Priorize adaptação, controle da face e orientação técnica.

Como escolher ou ajustar a pegada

Em vez de procurar uma receita única, observe:

  1. Qual é o golpe? Saque, voleio, slice, overhead, forehand, bloqueio e saída de parede podem ter necessidades distintas.
  2. Onde está o contato? A altura e a distância da bola influenciam a organização do movimento.
  3. Qual é o objetivo? Controle, trajetória, velocidade, topspin, bloqueio e transição podem pedir ajustes diferentes.
  4. A face da raquete está sob controle? O nome da pegada importa menos do que a capacidade de orientar a face e repetir o movimento.
  5. Há conforto e segurança? Tamanho do cabo, mobilidade e tensão excessiva merecem atenção; dores persistentes devem ser avaliadas por um profissional de saúde.
  6. A solução combina com o nível? Uma orientação inicial pode não ser a mesma para um atleta experiente.

No tênis, um professor pode apresentar a continental para saque, voleio, slice e overhead e depois testar posições de forehand conforme a resposta do aluno. No padel e no beach tennis, a recomendação deve considerar a raquete e a dinâmica específica da modalidade, sem importar automaticamente as categorias do tênis.

Erros comuns ao aprender pegadas

  • Procurar uma pegada correta para todos os golpes.
  • Tratar a continental como obrigatória no padel ou no beach tennis.
  • Usar eastern, semi-western ou western como soluções universais para todas as modalidades.
  • Transformar um resultado de dinamômetro em prova de desempenho em jogo.
  • Repetir o número “90%” sem uma pesquisa identificável e um método claro.
  • Ignorar altura da bola, tempo de preparação, controle, conforto e histórico do jogador.
  • Copiar automaticamente a técnica do tênis para o padel ou o beach tennis.

Perguntas frequentes

A pegada continental serve para todos os golpes?

Não. No tênis, a USTA a apresenta especialmente para voleios, saque, slice de backhand e overhead.[1] Em outros golpes, a escolha depende da situação e da orientação técnica.

Posso usar a eastern no padel?

As regras da FIP não proíbem nem prescrevem essa posição, mas também não determinam uma pegada universal.[5] A escolha deve ser avaliada por golpe, jogador e orientação do professor. A continental pode aparecer como base didática comum, sem se tornar uma obrigação regulamentar.

A semi-western é melhor que a continental?

Não há essa conclusão universal. O estudo citado encontrou diferenças de força estática em condições de dinamômetro, mas não demonstrou superioridade em desempenho de jogo.[3] Além disso, a comparação foi feita no forehand e não deve ser aplicada automaticamente a saque e voleio.

A western está errada?

Não é adequado classificá-la como errada sem contexto. Ela pode fazer parte do repertório de alguns jogadores, mas as fontes consultadas não permitem afirmar prevalência ou superioridade. Relacione a escolha ao golpe, ao objetivo e à orientação técnica.

Existe uma pegada obrigatória no beach tennis?

Não. As regras ITF consultadas regulam a modalidade, mas não prescrevem continental, eastern, semi-western ou western como pegadas obrigatórias.[4] A edição consultada foi a Rules of Beach Tennis 2026, em 13 de agosto de 2026.

O número “90%” representa quantos jogadores usam a continental?

Não há base, nas fontes consultadas, para apresentar esse percentual como dado científico. Ele não deve ser usado como estatística sem uma pesquisa observacional identificável e método claro.

Como saber se preciso mudar minha pegada?

Observe se você controla a face da raquete, chega ao contato com equilíbrio, repete o movimento e joga com conforto. Um professor pode avaliar o golpe completo, em vez de corrigir apenas a posição da mão.

Conclusão

A melhor pegada é a que ajuda o jogador a executar o golpe pedido, naquela modalidade e situação, com controle, consistência e conforto. No tênis, a continental é uma referência importante para saque, voleio, slice e overhead, enquanto eastern e semi-western são discutidas principalmente no forehand. No padel, a continental pode ser uma base didática comum, mas não é uma obrigação da FIP. No beach tennis, as regras consultadas não estabelecem uma pegada universal.

Para praticantes e professores, o caminho é observar o golpe, a altura da bola, a dinâmica da modalidade e as características do atleta — sem transformar preferência de ensino em regra nem resultado experimental em receita.

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Fontes

[1] USTA, “Improve Your Tennis Game: The Continental Grip”. https://www.usta.com/en/home/improve/tips-and-instruction/national/improve-your-tennis-game--the-continental-grip.html

[2] USTA, “Tennis 101: The Forehand”. https://www.usta.com/en/home/improve/tips-and-instruction/national/learning-the-basics--forehand.html

[3] Esser et al., “Effects of Grip Style and Contact Point on Force Production in a Tennis Forehand Groundstroke”, Cureus (2024), texto indexado no PMC. https://pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC11658165/

[4] ITF, Rules of Beach Tennis 2026. https://www.itftennis.com/media/15548/rules-of-beach-tennis-2026.pdf

[5] FIP, Rules of Padel. https://www.padelfip.com/wp-content/uploads/2025/12/FIP_Rules-of-Padel.pdf

[6] FIP Academy, plataforma oficial de formação. https://www.fip-academy.com/

Sources

[1] https://www.usta.com/en/home/improve/tips-and-instruction/national/improve-your-tennis-game--the-continental-grip.html
[2] https://www.usta.com/en/home/improve/tips-and-instruction/national/learning-the-basics--forehand.html
[3] https://pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC11658165
[4] https://www.itftennis.com/media/15548/rules-of-beach-tennis-2026.pdf
[5] https://www.padelfip.com/wp-content/uploads/2025/12/FIP_Rules-of-Padel.pdf
[6] https://www.fip-academy.com